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Síndrome do Ninho Vazio
 

Tristeza ao ver os filhos deixando o lar

 

Você criou os filhos para o mundo, mas nunca imaginou que sofreria tanto quando eles realmente partissem. A casa está vazia e não há mais ninguém para devorar seus bolos de chocolate em segundos... e agora?” (Paula Balsinelli)

A Síndrome do Ninho Vazio não é considerada uma doença física ou psíquica, mas sim, uma profunda tristeza que algumas mães ou pais enfrentam quando os filhos deixam o lar, por motivos de estudos, trabalhos, casamento, entre outros. E aquele sentimento de vazio e até mesmo de inutilidade começa a aparecer na vida do casal, apesar do orgulho e da sensação de missão cumprida.

 

ninho-vazio A Síndrome do Ninho Vazio é um problema bastante comum, e que acontece principalmente com mulheres que não desenvolveram outro papel, senão o de mãe.

Em uma reportagem publicada na revista VEJA, a psicoterapeuta Lídia Aratangy, especialista em família, diz que essa situação corriqueira na vida familiar (quando os filhos tornam-se independentes e partem para outra moradia) pode converter-se até mesmo em um problema de saúde e desencadear outros males, além da Síndrome do Ninho Vazio, como a depressão, dermatite, distúrbio intestinal, dificuldade respiratória, febre sem motivos aparentes.

A síndrome é de difícil diagnóstico, mascarada pelas pequenas doenças que surgem em decorrência da somatização dos sentimentos. Para agravar ainda mais a situação, a saída dos filhos coincide na maioria das vezes com a chegada da menopausa e o confronto com o início da velhice.

Se a relação do casal está fortemente apoiada na presença dos filhos, poderá ocorrer um agravante: o casamento fica sem sentido e o desgaste aflora. “O importante é conversar muito sobre o assunto e não reprimir o que se está sentindo, aceitar a tristeza e os sentimentos opostos. Depois passa. Pois a vida é uma contínua transformação” (Lídia Aratangy).
Magdalena, outra psicologa, ressalta que mais tarde, com a chegada dos netos, o homem e a mulher descobrirão novas emoções, resgatando a sensação de ser imprescindível e reconquistando o amor-próprio.

Qual seria então a alternativa? Como encontrar o meio termo entre "a mãe castradora" ou a "mãe liberal"?

A resposta não é tão simples e varia muito, de mulher para mulher.


A mãe castradora
 

O modelo "castradora", a mãe que foi criada para ser mãe:
Quando os filhos começam a sair sozinhos, trabalhar, ou estudar fora, a sensação que as mães têm é de abandono e ingratidão. Muitas acham que como deram de tudo para seus filhos (e deram mesmo), não se conformam que o filho agora assuma as rédeas da vida.  Pra ela é como se ele estivesse literalmente descartando a mãe. Agora ele não pára mais em casa, não telefona, enfim... ele passa a viver apenas o momento dele. E a mãe não se conforma com isso: passa a atacar de forma inconsciente, os amigos e os namorados/as, na tentativa de sabotar seus relacionamentos e assim ter o filho ou a filha de volta aos seus braços maternos.

Só que os filhos não percebem a coisa dessa maneira. O que pode parecer ingratidão para as mães, para os filhos é algo absolutamente natural. Essa discrepância em perceber as coisas se dá por causa da diferença de idade, e consequentemente de gerações, de hábitos, etc., entre outros motivos particulares de cada um.

Vamos olhar pelo ângulo do filho:

Num determinado momento, ele percebe que já está grande demais para "ficar deitado eternamente em berço esplêndido"; pode parecer cruel, mas ele nota que não terá mãe e pai para sempre. Nesse momento, eles percebem que precisam "dar um jeito na própria vida", e começam a buscar o relacionamento com o mundo.


Claro que nem tudo são flores na vida deles: existem atritos, conflitos, decepções choro e ranger de dentes, mas isso faz parte do crescimento deles, é fundamental para a formação do sujeito que ele passe por esse caminho de pedras.
Dentro desse quadro de conflitos e alegrias, de altos e baixos, é natural que eles se preocupem somente com aquilo que ainda não está ronto e definido e deixe de lado aquilo que está sacramentado; ou seja, estou me referindo ao amor de mãe.


ninho vazioNa cabeça deles o pensamento que passa é o seguinte:


"Eu sei que sou amado pelos meus pais, mas não sei se sou amado pelo mundo. Preciso lutar para ser aceito na sociedade da mesma forma que sou aceito pelos meus pais. A única maneira de fazer isso é cair no mundo, ir a luta pelo meu espaço". Só que pra fazer isso, ele precisa se desprender da mãe, da mesma forma que para atraversarmos uma ponte, precisamos deixar a outra margem, mas sabemos que a ponte sempre estará lá, não vai se auto-destruir só porque fizemos a travessia.


A mãe dominadora é aquela que não deixa de jeito algum que o filho faça essa travessia. Ela acha que deve conduzir o filho passo a passo nos caminhos da vida. Ela se anula por muito tempo além do necessário, na tentativa de sabotar o contato do filho com o mundo. E sem sucesso. O resultado disso é conhecido por todos: a depressão e a melancolia.

É fundamental que a mãe perceba que, embora os filhos cresçam o afeto não diminui. Muda-se apenas a forma de demonstrá-lo. Os filhos não deixam de amar os pais quando começam a amar outras pessoas, eles estão apenas passando adiante um sentimento que receberam no berço.

Para as mães que não conseguem se desprender, a sugestão é que procurem outras atividades que lhe deêm prazer, como trabalhos voluntários, ginástica, ioga, dentre outros. É fundamental que ela se perceba VIVA; é fundamental que ela se perceba como uma PESSOA que não precisa manter vínculos de apego para ser uma pessoa inteira. Procurar um psicólogo se torna fundamental.

 


A Mãe Liberal

Como tudo na vida, o oposto, a dualidade existe.

Existem as mães que são absoltamente liberais que conseguem viver tranquilamente com seus filhos distantes; as que só encontram seus filhos uma vez por mês, por ano e conseguem se equilibrar com essa situação.
Só que para algumas delas, o sentimento de culpa é forte, porque como foi dito antes, a sociedade em que vivemos é castradora e cristã, onde o modelo de mãe perfeita impera.

 

Como administrar esse conflito entre o fator cultural e a individualização?

Aqui também a resposta não é fácil porque pouca gente acredita que isso seja possível; essas mães desprendidas e desapegadas sempre vão ouvir que, ou são desnaturadas, ou estão se defendendo da solidão por trás de um sentimento de desapego fingido.

Mas na prática não é bem assim: elas são desapegadas porque provavelmente foram criadas num ambiente de desapego e isso deve ser levado em conta. Os pais que souberam criar seus filhos com afetividade desapegada são verdadeiramente sábios, pois assim se poupam de muiats dores futuras, tanto para eles, como para os filhos, que por sua vez saem para o mundo mais preparados e menos suscetíveis às dores que o mundo fatalmente os trará.

Elas não fazem questão de atravessar a ponte com seus filhos, pois enquanto eles atravessam suas pontes, elas continuam atravessando as delas.
Geralmente sentem-se aliviadas e felizes quando percebem que seus filhos estão convivendo bem em sociedade, namorando, estudando e trabalhando porque isso significa que sua missão prioritária de mãe foi cumprida com eficiência e honra.
 

 

Psicóloga Clínica Nathalie Beck | CRP: 06/105672

 
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